Interrogo-me às vezes sobre qual será a razão por que, na Sonae, nos sentimos sempre no princípio de um longo caminho cheio de oportunidades, obstáculos e promessas. Na verdade, parece que chegamos a estranhar a própria ideia de comemoração dos anos passados, mesmo quando estamos a falar de cinco décadas recheadas de sucessos. E, ainda que celebremos com alegria este marco tão relevante, desviamos irresistivelmente a nossa atenção para o futuro. De facto, da nossa marca genética não faz parte a satisfação ou a condescendência com os resultados já alcançados. Será este o segredo das organizações com vocação de perenidade? Ou trata-se antes de um indicador avançado sobre a vitalidade e o estado anímico de uma equipa? Acredito que são as duas coisas em simultâneo.
O que fornece à Sonae um potencial inegável de vida longa é uma atitude que se caracteriza por uma enorme ambição e pela confiança inabalável nas nossas capacidades.
Ambicionamos crescer em dimensão e alcance; ambicionamos uma rentabilidade extraordinária; ambicionamos investir cada vez mais capital próprio e alheio; ambicionamos mais sustentabilidade; ambicionamos maiores contributos para a sociedade.
Alguns dirão que parece ambição a mais, irrealista e sem foco. Nós, contudo, nem sabemos bem como poderia ser de outro modo.
Depois, acreditamos na nossa capacidade de inovar; acreditamos que podemos fazer sempre melhor; acreditamos que podemos atrair e desenvolver pessoas extraordinárias; acreditamos que todas estas capacidades, em conjunto com os nossos valores e a nossa atitude, nos darão os meios necessários para nos ultrapassarmos repetidamente; e, finalmente, acreditamos profundamente uns nos outros.
Sabemos que a Sonae é, por vezes, apontada como uma organização tecnocrática. E é verdade que temos muito orgulho nas nossas capacidades técnicas, que confiamos na racionalidade e acreditamos no progresso. Quem nos conhece bem sabe que, apesar de toda a nossa tecnologia, todos os processos e sistemas, a Sonae é uma organização que funciona com base na confiança. Confiança uns nos outros, confiança nos nossos parceiros e confiança dos nossos clientes. Poucos sabem como nós que são as nossas pessoas que estão e estarão na base do nosso sucesso. Poucos se dedicam como nós à formação e à aprendizagem contínua a todos os níveis.
Foi seguramente por sermos assim que conseguimos cativar ao longo do tempo uma imensidão de profissionais fortemente motivados e comprometidos com a empresa. Aliás, a Sonae raramente constitui apenas uma passagem na carreira dos seus quadros: em regra, estes dedicam-lhe uma enorme parte do seu tempo e das suas vidas.
Eu sei muito bem que nem tudo será igual no futuro. Se, até aqui, os outros nos reconheceram especialmente pelo nosso rigor, pela nossa solidez, pelo nosso método e pela nossa cultura, é bem provável (e desejável) que, daqui por uns anos, reconheçam também a Sonae pela sua vocação internacional, pela sua modernidade, pela sua criatividade e pela sua aptidão para inovar. É esse o futuro que estamos a construir, impelidos pela nossa ambição e pela confiança inquebrável nas nossas capacidades de execução.
São precisamente a ambição e a confiança nas nossas capacidades, as que considero mais importantes e mais intemporais da Sonae, as forças que nos ‘obrigam’ a mudar.
É claro que nos orgulhamos do caminho feito, pois sabemos que, em Portugal, somos um dos principais contribuidores para uma sociedade mais próspera, mais justa, mais ética e mais sustentável. Há 30 anos, dizíamos sobre a missão da Sonae: “Dinamizar a Economia, Promover o bem-estar”.
E hoje dizemos, já com outros horizontes: “Criar valor económico e social de longo prazo, levando benefícios do progresso e da inovação a um número de pessoas cada vez maior”.
Apetece-me dizer que, ao mesmo tempo, mudámos tanto e tão pouco…
Não sei, obviamente, quem escreverá esta nota daqui a 50 anos. Sei apenas que desejo sinceramente, a esse alguém que desconheço, que o possa fazer com o mesmo orgulho e com a mesma expectativa que sinto hoje.
PAULO AZEVEDO | CEO SONAE
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